Bem mais do que uma história de zumbis
Você acha que The Walking Dead é uma história de zumbis? Se respondeu “sim”, acertou até certo ponto. Os mortos vivos criam o pano de fundo dessa saga pós-apocalíptica, mas na essência o tema é o ser humano em seu estado de natureza.
A frase “o homem é o lobo do homem” é familiar para você? Ela é atribuída a Thomas Hobbes, filósofo do século XVI. “WTF o que isso tem a ver com o TWD”, calma já chegamos lá. Na época que os europeus conheciam o mundo e novos povos com suas caravelas, vários pensadores a criaram teorias de como seriam as pessoas sem a sociedade. Rousseau foi um dos mais otimistas, idealizando que a sociedade se forma a partir da vontade geral de pessoas inocentes que aderem a um contrato social. Suas teorias influenciaram a Revolução Francesa e a constituição dos EUA, além de continuar como referência na democracia moderna que está espalhada mundo a fora.
Hobbes já não via tantos unicórnios e arco-íris na humanidade, afirmando que em seu estado de natureza, as pessoas viviam uma constante guerra de todos contra todos. A sociedade era formada então por aqueles que com medo, entregavam sua liberdade a um poder central que prometesse segurança. Isso te parece familiar? Pois é, também acho que sei o que Robert Kirkman andou lendo.
Bem mais do que uma história de zumbis
A idéia do homem como ameaça está presente no próprio conceito dos mortos vivos, afinal são homens e não ratos ou corvos zumbis os vetores da epidemia. Por outro lado, é chocante como a violência mais revoltante parte de pessoas conscientes e racionais. O que leva a pensar se então vivemos cercados por pessoas que não pensariam duas vezes em nos roubar, matar ou escravizar se não houvesse leis e uma moralidade social que os impedisse.
Talvez um dos motivos do sucesso explosivo do TWD seja a sua capacidade de nos causar identificação da narrativa com nossos próprios medos e inseguranças. Prova disso são os dramas vividos pelo protagonista Rick Grimes, como infidelidade, decepção com amizades, gravidez indesejada, medo de perder o filho, luto e depressão, acessos de raiva, entre outros. É impossível não espelhar alguns desses sentimentos em nossas experiências pessoais.
Para finalizar, te deixo algumas perguntas: quem você seria sem leis te colocando limites e sem constantes julgamentos pelas suas ações? Do que você seria capaz para se manter vivo e salvar as pessoas que gosta? Seria essa a sua verdadeira natureza?
Bem mais do que uma história de zumbis
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